Ser. Emocionar-se. Viver o momento. A coleção Valentino Outono/Inverno 2016-17 nasce de uma reflexão sobre o tempo e sobre o valor de fazer moda em um mundo que se tornou bidimensional. Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli oferecem uma resposta ao caos e à incerteza do presente afastando-se da virtualidade para descobrir a essência do contemporâneo na fisicalidade irrepetível das emoções: em experiências que precisam ser verdadeiramente vividas, em pessoa, e que nenhum instrumento digital pode restituir.

Nesta pesquisa de tangibilidade emocional e reverberação estética, os Diretores Criativos buscam intensamente a cultural radical do Happening – a performance que coloca o espectador diretamente dentro do trabalho artístico, percebido como uma circunstância interativa, transformando-o de comtemplador passivo a indivíduo ativo – à dança e à música, expressões próximas à sensação humana mais profunda e livre, em qualquer época. Forma de expressão visceral, autêntica, atemporal.

A coleção alimenta-se da convicção de que vida e arte podem aproximar-se uma da outra através dos gestos físicos. Viver o momento altera a percepção da existência: deste ponto de vista deriva o sentido de uma análise que, tendo em mente o indetermininsmo de John Cage e os contrastes punk de Karole Armitage, os gestos abstratos de Martha Graham e o movimento no espaço e no tempo de Merce Cunningham, define uma gramática expressiva de leveza e austeridade, graça e precisão, opulência e pureza.

Dos balés russos ao New York City Ballet, desenrola-se um fio não narrativo que favorece o instinto à lógica, liberando energias primordiais. Casacos militares protegem vestidos impalpáveis. Tutus florais transformam-se em pequenos tops; saias flare são usadas com sapatilhas de balé reinterpretadas. Drapeados fluidos em jérsei acompanham o corpo. Perplexidade perceptiva caracteriza os robes usados com meias de seda e sandálias de dança. A precisão seca da disciplina sartorial encontra a graciosidade floral e tremula – franzidos múltiplos, transparências frágeis – em uma atmosfera impregnada pelo sentido de levitas, que é o equivalente da alegria. A mulher é a protagonista desta ilustração, livre em seus gestos e em seus pensamentos, o sujeito de uma experiência que confere à moda o status de expressão e imaginação.

Uma experiência a que cada espectador presente irá acompanhar sozinho, levando à conclusão uma jornada criativa que teve origem no Atelier. É nessa relação interativa entre vestido, olho e fantasia que Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli aninham, hoje, o sentido real da moda.

Fonte: Assessoria

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